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Dá pra viver de rock em Salvador?

Artigo de Clara Marques e Sara Regis

Só de rock? E de música? É preciso tocar axé? Fazer gigs? Tocar cover? Ter outras atividades na música? Ou fora da música? O caminho é sair de Salvador?

Vasculhamos o cenário rocker da cidade, entre músicos de destaque e de nível profissional, com estas perguntas e encontramos uma variedade de estados, pensamentos e pretensões.

Para uma pequena parcela, dá sim para viver de rock em Salvador. Eles têm a sua carreira artística como única ou principal fonte de renda. São bandas diferenciadas no cenário local e que alcançam projeção nacional, às vezes, também internacional. Alguns complementam o seu orçamento com outras atividades relacionadas à música, em paralelo com as suas bandas. Assim surgem parte dos produtores musicais, professores, diretores audiovisuais especializados em videoclipes, entre outros.

Enquanto muitos não têm a mesma “sorte” e precisam buscar mais uma fonte de renda em atividades de outras áreas. São aqueles que vivem em jornada dupla: de dia trabalham em empregos “normais” e à noite e finais de semana se dedicam à banda, que é a sua prioridade. Quando preciso, negociam no trabalho para cumprir um compromisso da carreira. E existem aqueles que, literalmente, pagam pra tocar. Ainda estão na fase de investimentos, enquanto tiram todo o sustento, inclusive para a banda, de uma outra carreira profissional.

Foto: La Fotita

Vários exemplos conseguem “ganhar a vida” com música, mas, para isso, abriram mão ou deixaram de priorizar as suas próprias carreiras, tocando para outros artistas ou montando projetos covers. São os famosos “gigueiros”, músicos profissionais freelancers, que se dividem entre os que “topam tudo por dinheiro” e os que não aceitam qualquer trabalho que não tenha a ver com seu gosto pessoal. Para estes, muitas vezes, uma saída para se sustentar tocando o que gostam é investir em bandas covers, que fazem sucesso em algumas casas de show da cidade.

Entrando nesta seara de “tocar músicas dos outros”, encontramos ainda aqueles que fazem “barzinho”, tocando uma miscelânea de canções que o público quer ouvir como plano de fundo – e muitas vezes nem presta atenção – em meio às conversas da mesa. Mas, ainda assim, alguns conseguem tocar o que gostam e se manter no rock. Atividade parecida com a de algumas “bandas de baile” mais criteriosas que não “tocam de tudo”, e conseguem animar a plateia de convidados para eventos corporativos ou festas particulares com um rock dançante e mais popular, sem precisar “cair no pagodão”.

Foto: La Fotita

Existem também aqueles que já tentaram viver de música, largaram tudo por um tempo, mas o sonho acabou não saindo como planejado. Algumas dessas bandas fizeram história na música baiana e permanecem até hoje como ícones, influenciando boa parte das novas bandas que surgem a cada dia com o mesmo sonho renovado. Estes músicos nunca deixaram o rock, continuam tocando em outras bandas como hobby nos tempos livres, mas de forma descompromissada, sem maiores pretensões e sem perder o foco no trabalho “de verdade”, no qual também construíram carreiras e que paga as contas no final do mês.

 

Como “se viram” os músicos de rock de Salvador:

- Vivendo de sonho
- Em SP
- Jornada dupla
- Não só de banda, mas na música
- Ainda investindo
- Profissão: “gigueiro”
- Depois do sonho

Depoimentos – como pensam estes músicos sobre:

- Autoral x cover
- O que falta

 

* Matéria publicada originalmente no Impressão Digital 126, produto laboratorial da oficina de jornalismo digital – Facom | UFBA

Clara Marques e Sara Regis

Produtoras culturais formadas pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia e atualmente também graduandas em Jornalismo.

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